domingo, 8 de maio de 2011

Quando o silencio fala tudo....

Aquela frase clichê que "o silêncio vale mais do que mil palavras" nunca me fez tanto sentido.
Nós sabíamos que tudo tinha acabado. Mas não o tínhamos feito de forma oficial. Você optou pela forma mais covarde de se anunciar um fim: usando a boca de outra pessoa. Eu decidi fazê-lo da forma mais honesta possível, colocando a minha cara à tapa pra você bater. Qual não foi minha surpresa que ao nos vermos, não nos enxergaríamos. Eu não vi o verde dos teus olhos nem um minuto das últimas horas que passamos juntos. Ou pelo menos, ocupando o mesmo espaço físico, porque juntos não estávamos há muito tempo. O que mais me incomoda é o fato de que você contratou um advogado para resolver uma pendência sua. Usou de um procurador. Não teve coragem de dar voz aos seus sentimentos. Sentimentos? Desculpa, esqueci que você
é frio e desconhece o que são sentimentos.

Já que você enviou um advogado, tratei disso com ele, disse tudo que eu pensava. Sabendo da fragilidade da nossa relação, de sua validade de pão de forma, sempre deixei muito claro
que caso você desejasse colocar o ponto final na nossa louca história, ficasse à vontade. Não sei se seu interlocutor te passou as informações. Nada que você já não tenha ouvido. Eu sempre fui muito honesta com você. Ainda tento entender o porquê você colocou uma terceira pessoa para mediar nosso fim. Eu que sempre contei com sua sinceridade, pois
aparentemente, jogávamos limpo. Tristeza perceber que a única que praticou fair play fui eu.


Ainda assim, fui atrás de você para dar a oportunidade de que você dissesse tudo o que pensava na na minha face. Pude ouvir sua alma gritando através do seu silêncio. Ouvi muitas ofensas. Você maldisse toda minha geração. Desculpa, eu sou de Deus e toda minha geração já está consagrada. E sabe por que você maldisse minha geração? Porque você não honra nem a sua. Você não cuida nem dos seus, como cuidaria de mim?

Você ordenou ao diabo que me carregasse. Olha que irônico: Quantas vezes você me carregou para tantos lugares. Poderia ter me carregado ao inferno também, mas o Deus que eu creio
não permitiu. Mas você fez isso por inveja. Inveja por eu ter uma mãe. Inveja da minha estabilidade. Onde já se viu, a mulher com carro 0 e você capengando para pagar um usado caindo aos pedaços? E a sua inveja não se limita ao material, pois capacidade para conseguir você tem (apesar de não saber usar). Inveja por eu ser tão segura de mim mesmo dentro das minhas
inseguranças. Medo de que você olhasse para as minhas amigas? Tinha mesmo, você não tem caráter. Poderia sim, cantar uma amiga minha num segundo de ausência. Mas isso não era
insegurança minha, era falta de confiança em você.

Nas nossas horas íntimas, eu esquecia de todos os defeitos que meu corpo apresenta e que você ressaltou por aí. Coisa feia, divulgar os segredos de alcova para os outros. Pena que você
só divulgou as coisas ruins não é? Por que não divulgou as vezes que você chorou nos meus braços a sua eterna mágoa de não ter sua progenitora presente? Por que não divulgou as vezes
que você me acordou na madrugada com torpedos de peso na consciência por não ser uma pessoa boa? Não divulga todas as vezes que eu te salvei? Não faz parte do manual do bom
macho divulgar os benefícios que uma mulher causa em sua vida. O que faz parte do manual do machão é denegrir, humilhar...

A minha independência de você sempre te incomodou. Nunca precisei de nada seu. A única coisa que eu queria era a sua presença. Ela me bastava, me era suficiente. Mas creio que ter
uma mulher que exija apenas a sua presença é tedioso para um macho. Mulher tem que disputar o macho com as outras. Ele tem que se sentir o galo do terreiro, e as galinhas que disputem
a cópula à bicadas. Eu te dei a escolha. Engraçado que mesmo com o livre arbítrio de permanecer ou não ao meu lado, você não soube usar desse benefício.

Enfim, depois de um debate mudo com mediador, entendi o recado do seu silêncio. Não sei se você também compreendeu o meu silêncio. Caso não tenha compreendido (é loiro), aí vai a
explicação:

Eu só estava com você pelos momentos a dois que você me proporcionava.
Você não é a pessoa que eu gostaria de apresentar pra minha mãe.
Tudo que fiz por você não foi porque você me enganou. Fi-lo porque qui-lo.
Você não serve pra ser pai da Ana. A Ana merece um pai, não um doador de esperma.
Você não serve pra andar no meu carro.
Você tem o membro pequeno. (tá, eu sei que é golpe baixo usar esse argumento. Costumo apelar quando necessário).


E aproveitando o dia das mães, peço desculpas a sua. Ela me pediu ajuda para te ajudar a mudar. Não consegui, pois ninguém muda sem ter a vontade de. Te desejo boa sorte. Você vai
precisar.